COMPLEXO DE INFERIORIDADE
Jussiê Gonçalves de Souza
Professor e psicólogo
Coube a C. G. Jung introduzir o termo complexo em psicologia, com o seguinte significado: “associação de idéias em torno de um conteúdo emocionalmente carregado, às quais foram reprimidas, mas podem surgir na consciência, sob múltiplos disfarces, para exercer importante influência no comportamento e no pensamento do individuo”. A aceitação deste conceito é central na teoria da ansiedade e culpa neuróticas.
As nossas experiências passadas, que uma vez ocuparam a nossa atenção e das quais presentemente não temos consciência, continuam presentes em nossa vida, embora sem termos conhecimento atual dessas impressões. Muitas vezes, idéias e imagens passam para nossa vida inconsciente, sem que o percebamos. Entretanto, a qualquer momento, poderão aflorar ao consciente. Quando tal ocorre, a pessoa não as reconhece. Assim esses elementos internos agem na personalidade, alterando-lhe a maneira de pensar, sentir e agir, levando a pessoa a fazer ou deixar de fazer algo que havia pensado. Esses fatos perturbadores é o que denominamos de “complexo”, que pode ser entendido como “uma força que influi no modo de agir da pessoa, que desconhece sofrer de um complexo”.
O complexo está ligado por um forte laço emocional. Os complexos são formados, e começamos a absorvê-los desde o nascimento, sendo acumulados pela vida inteira. Há muitas pessoas que pensam emocionalmente ou por impulsos dos complexos, embora elas acreditem que pensam de forma racional.
Comumente os complexos têm as suas raízes na infância, como ocorre com outros problemas de personalidade. O complexo de inferioridade se manifesta prioritariamente em crianças que sofrem de deficiências orgânicas. Qualquer deformação física poderá se constituir como um fator responsável pelo surgimento de um complexo de inferioridade. Em tais casos, os pais devem atentar para o problema, no sentido de prevenir maiores tragédias para seus filhos, e ajudá-los a um melhor ajustamento.
Há crianças, entretanto, que embora fisicamente normais, desenvolvem um sentimento de inferioridade, devido a causas externas ou ambientais. Por exemplo, uma pessoa que na sua infância sempre foi levada a reconhecer a sentir-se responsável pelas suas inadequações ou falhas ou que jamais foi elogiada ou reconhecida por algo notório feito poderá desenvolver sentimentos de inferioridade. Com o passar do tempo, tais indivíduos passarão a desenvolver uma exagerada noção de suas incapacidades ou falhas. Tal tipo de comportamento ou pensamento poderá ser o responsável pela formação do complexo de inferioridade.
O elemento básico da inferioridade é o medo. Quando uma pessoa desenvolve uma atitude medrosa – sua vida será caracterizada por atividades negativas. Ao invés de crescer emocionalmente, ampliando o seu eu em busca de uma identidade e maturidade, ela por um processo de regressão, característica de sua imaturidade, volta à segurança e conforto de sua infância. Nesse estágio anterior de sua vida cronológica não há decisões a tomar nem responsabilidade a assumir. Assim, quando o medo a domina, ela, mentalmente, se relaciona à segurança e à paz anteriores.
O seu desenvolvimento pessoal será marcado por instabilidade, incerteza e falta de propósito. A sua conduta é traduzida por uma incapacidade de aceitação da vida com prováveis reações de agressão ou de fuga da realidade, com tendência para o alcoolismo ou outros problemas anti-sociais.
O Dr. W. McDougal, um dos psicólogos mais conhecidos e ilustres de nossa época, adverte: “Quase, sem exceção, crianças necessitam ser encorajadas para desenvolverem autoconfiança. Muitas crianças falham em perceber e desenvolver suas melhores potencialidades, por falta de encorajamento , pois, muitas vezes, uma simples observação positiva poderá valer por toda vida. Uma infinidade de infelizes e uma multidão de neuróticos surge como resultado de severidade e reprovações às crianças. Infelicidade e dificuldade que persistem pela vida afora estão enraizadas em um profundo complexo de culpa”. (Um dos artigos da série intitulada problemas psicológicos publicada em vários jornais de Belém, Estado do Pará)
O que é uma depressão nervosa ? – Onde o pior germe de uma doença nervosa é o próprio paciente
Jussiê Gonçalves de Souza
Professor e psicólogo
A própria pessoa pode ser o pior germe de sua doença. Muitas pessoas que vivem mergulhadas em depressão sofrem por um motivo psicológico. A tensão nervosa poderá tornar-se habitual. Poderá ir crescendo, tornando-se algo que seja realmente ameaçador. E quando esse crescimento atinge um ponto em que a confusão no inter-cérebro já se tornou habitual começa a manifestar-se a depressão nervosa. É o que tem acontecido a milhões de pessoas em todo mundo.
Para entender melhor o que é uma depressão nervosa narro a história verídica de uma senhora de Brasília (DF) e que nos foi relatada pelo Dr. Paraguassu.
A história é a seguinte:
- “O pastor Almochaim estava pregando em Brasília, quando o esposo desta senhora enferma o ouviu e ao terminar o culto, convidou-o para ir até a sua casa. O pastor aceitou o convite e dirigiu-se até lá. Ao chegar na casa, encontrou aquela infeliz mulher – deprimida, angustiada e chorando muito. O pastor sentou-se ao lado dela e perguntou-lhe: O que a senhora tem ? Ela disse: Eu escuto uma voz que me diz constantemente: ESTE PECADO NÃO TEM MAIS PERDÃO. Faz quase oito anos que escuto esta voz me falando, sem parar. Eu já fiz de tudo: médicos, reunião de oração, jejum. O que já fiz não está mais no “Gibi” !
O pastor pediu a um membro da família que trouxesse uma tábua para colocar no braço da cadeira de rodas e uma folha de papel sulfite branco, uma caneta e disse: “A senhora vai escrever aqui o que a senhora escuta”. E ela escreveu sem hesitar: “ESTE PECADO NÃO TEM MAIS PERDÃO”. É isso o que a senhora escuta sempre ? É. Muito bem. Ponha aspas na frase e agora escreva o nome do autor: - satanás. Agora, em baixo deste papel, a senhora vai escrever esta outra verdade. Na Bíblia, no Salmo 103:3, temos uma verdade, escreva ai: “É Ele quem perdoa todas as tuas iniqüidades e quem sara todas as tuas enfermidades”. Ponha aspas e coloque ai o nome do autor da frase: Deus. Muito bem. Agora eu vou lhe perguntar: O pensamento de cima e o pensamento de baixo não são iguais ? Não, não são, respondeu a senhora. Realmente são antagônicos. São contrários. O pensamento de cima exclui o de baixo e o pensamento de baixo exclui o pensamento de cima. Em qual destas frases a senhora acredita ? Perguntou-lhe o pastor. Na primeira. No pensamento de cima. Minha irmã, o seu problema é precisamente este. Está crendo no que o diabo diz. Foi o problema de Eva e da Humanidade.Cremos na mentira do diabo, e não cremos na verdade de Deus. E o que devo fazer ? Perguntou a senhora. A senhora deve tirar a sua fé da frase de cima e colocá-la na frase de baixo. Ela pegou a caneta e riscou com força a frase de cima, e disse: Deus é o Senhor que perdoa e que cura. Ele pode me sarar. Ficou ali sentada, um pouco, e perguntou: “Pastor, o senhor quer café ? Ele disse: Sim. Ela não hesitou, colocou as duas pernas para fora da cadeira, levantou-se e disse bem alto: Estou livre ! Estou curada ! O meu problema estava no meu interior. O pastor disse: Amém ! É mistério ? Não ! Disse ela”.
Ora, não é Ele quem perdoa ? O que significa ? Mandou embora. Cancelou ! Está cancelado. É Ele quem perdoa e sara. Muitas doenças estão tomando conta de nosso organismo. São doenças de cobrança de coisas, que nem nós sabemos e que nem nós nos perdoamos. Perfeccionistas ? Sim. Exigentes? Demais ! São pessoas que cobram um comportamento elevado. São até obsessivas. Mas é Ele quem perdoa e quem sara. Não será que o sentimento de culpa que você está carregando há tanto tempo com você ou a falta de liberar perdão estão provocando a sua doença emocional ?
Outra história verídica nos é contada pelo Dr. Mauro Rinaldi, que nos narrou por ocasião da Conferência Distrital do Rotary International, em Santarém, no Estado do Pará. Esta história foi vivenciada por uma doutoranda em doenças psicossomáticas. É a história de Tom, uma criança de cinco anos de idade que estava com um câncer na garganta. Eis a história:
- Tom era um garoto de cinco anos de idade com um Q. I. elevado e uma Inteligência Emocional fora de série. A mãe de Tom passava por uma dor terrível. Deveria enfrentar a doença que o filhinho portava. Tom prestava atenção às conversas da mãe com os parentes e amigos. Ele pôde ouvir, em uma dessas situações, que sua doença era grave e que morreria em breve. A mãe de Tom passou a ficar mais tempo com ele e a levá-lo para a Faculdade de Medicina, onde lecionava. Em um certo dia, a amiga da mãe de Tom ao vê-lo triste perguntou-lhe: Tom, vai tudo bem ? O que você tem ? Tom respondeu com a compreensão infantil possível para sua idade: Não, tia. Não está tudo bem. Eu estou sofrendo muito por causa de minha doença e logo, não demora muito, irei embora. Embora para onde, indagou a doutora ? Minha mãe disse que eu irei para o Céu e que lá é muito bom e bonito. Meus novos amiguinhos serão os anjos e eu vou voar com eles e terei muitos brinquedos. Mas, o mais importante é que não sentirei mais dores. Mas, tia, sabe de uma coisa: eu não quero ir embora. Eu não quero ir para o Céu, agora. Eu gosto muito de meus pais, dos meus avós, dos meus tios e dos meus amiguinhos da escola. E eu não quero ir para o Céu. Eu quero ficar aqui. Comovida, a doutora observou que a força interior de Tom era extraordinária. Ele falava com profunda convicção. Havia uma força interior. A doutora decidiu ir falar com o médico especialista que dera o diagnóstico de Tom, para saber mais detalhes da doença e o tempo de sobrevida.Procurou os pais do garoto e pediu-lhes permissão para realizar uma experiência com o garoto. A permissão foi imediatamente concedida. No dia seguinte, a doutora tomou o Tom pela mão e o levou ao laboratório da faculdade – o biotério. Ofereceu a ele um presente: um lindo ratinho branco. O menino ficou muito feliz. E agora, os dois caminharam na direção da cantina da faculdade. Lá, a doutora comprou queijo que foi oferecido aos farelos para o ratinho que estava com uma baita fome e devorou todo o queijo que lhe foi oferecido. . A doutora disse: Agora, Tom você vai cuidar do ratinho e todo dia vai alimentá-lo. Quero que você faça isso por três semanas consecutivas. Está bem ? Tudo bem, concordou o Tom.
Passadas as três semanas, a doutora levou Tom a uma sala de aula de projeção e desenhou uma célula do corpo humano, bem ampliada e disse-lhe: Tom, você tem dentro de você milhões de células, iguais a esta. A seguir, pegou uma caneta e desenhou a orelhinha, as patinhas, o rabo e perguntou ao Tom: O que é isso agora ? Tom replicou com alegria: É um ratinho, igual ao meu. A doutora disse: Tom, dentro de você há milhões desses ratinhos que estão com muita fome. Todos são seus amiguinhos e na sua garganta há um queijo. Quando você for dormir, mande todos os ratinhos que estão dentro de você comerem o queijo que está dentro da sua garganta. Está bem ? Você é capaz de fazer isso para mim e por você ? O que a doutora estava pedindo ao Tom era para que ele mobilizasse todas as suas energias, ativando mentalmente as suas células para combaterem o câncer de sua garganta. O mais lindo dessa história é que Tom havia criado amor verdadeiro pela doutora e uma grande amizade pelo ratinho que ela lhe dera de presente. A doutora que contava esta história verídica baixou uma tela de projeção e começou a ver imagens de um jogo de futebol americano. Todos ficaram confusos por aquilo que não tinha nenhuma conexão com a história de Tom. De repente, em meio aqueles jogadores de dois metros de altura e mais de cem quilos de peso um deles se destacou e, indo à câmara principal, tirou o capacete e falou: Eu sou o Tom e me curei de câncer de garganta terminal. Aos cinco anos de idade. Ficamos arrepiados com aquela imagem, aquelas palavras e a força interior daquele ser humano. E pensar que todos nós temos essa mesma força. Que todos podemos tornar real o potencial que está em nosso interior. Todos, sem exceção. Tom continuou o seu tratamento médico e foi acompanhado na vida adulta até o tempo necessário para ser considerado curado. Mobilize toda a sua energia para alegria de viver. Tenha fé. Escolha ser feliz.
Pense muito sobre essas duas histórias verídicas e aprenda definitivamente que o pior germe da doença nervosa é a própria pessoa. A crença sugestionada cura e dá poder ao subconsciente. Creia e siga em frente. O homem liberto do sentimento de culpa do pecado e do mal torna-se um homem sadio no corpo, na mente e no espírito. Aquele que não libera perdão se apresenta sem condições para a saúde em todas as suas dimensões. Perdão e saúde tem muito em comum. Tome posse de seu perdão e perdoe. O grande obstáculo para comunhão do homem com Deus é a culpa. Muitos sofrem em casa ou nos hospitais com agonia da culpa. Muitas perturbações psicológicas e emocionais crescem no coração onde foi semeada a semente da culpa. A culpa precisa ser removida de nossas vidas, se quisermos experimentar a vitória. Neste momento, algo de sobrenatural acontece – o rio do perdão começa a inundar nossas almas. A profunda ferida da mágoa começa a ser curada com o remédio da graça de Deus. E não há limite para a graça e o perdão encontrados no trono dos céus. Quanto mais perdoamos, mais perdão flui em nossos corações.
Se você faz parte dos milhões de pessoas vivendo sob pressão não pense que tudo está perdido. Continue lutando. Conheço muitas pessoas que estão travando essa luta. Mas, sei que suas metas estabelecidas para cura valem seus esforços. E essas metas são atingíveis. Você poderá ser vitorioso. (Trecho do livro Valorize sua personalidade – Cultivando as relações intra e interpessoais, que deverá ser lançado até dezembro de 2009)
Jussiê Gonçalves de Souza
Bacharel em teologia em Recife (PE) e em pedagogia na Universidade Federal do Estado do Pará (UFPa), bacharel em direito pela Universidade da Amazônia (Unama), mestre em teologia em North Carolina (EUA), doutor em psicologia, tendo sido responsável pela cadeira de psicologia, em 1976, na UFPa, curso de especialização em metodologia do ensino superior na UFPa, curso de administração em nível superior nos EUA, instrutor de Rotary International nos EUA, nos anos 90 e 91, governador do Distrito 4.720 da Amazônia Legal, fundador e diretor da Faculdade Estadual de Medicina do Estado do Pará, proprietário da clínica psicológica Carl Rogers, clínica no Hospital Batista, em Winston-Salem (EUA) por dois anos, escritor e autor do livro Problemas psicológicos da deficiência mental e também jornalista. Pró-reitor de ensino e administração acadêmica e diretor do centro de educação da UFPa, pastor batista e primeiro reitor do Seminário Teológico Batista Equatorial, em Belém, Estado do Pará. Casado com a professora Waldelice Pinto de Souza, com quem tem dois filhos.
CONFERENCISTA INTERNACIONAL
JUSSIÊ GONÇALVES DE SOUZA
Pastor, Professor, Psicólogo, Escritor e Jornalista
Até o final de 2009 estarei lançando mais um livro, desta feita intitulado Valorize sua personalidade - Cultivando as relações intra e interpessoais, que poderá ajudá-lo a fazer um exame introspectivo e buscar o equilíbrio necessário de sua vida.
Em meu estágio de Pós-Graduação realizado no Baptist Hospital em Winston-Salem, North Carolina (EUA) e em meu consultório em Belém, no Estado do Pará, tratei constantemente de muitas pessoas que me procuraram para aprender como resolver os seus problemas sozinhas e ficar independentes, autoconfiantes e capazes de viver satisfeitas, apesar de pressionadas pelas exigências da vida interior e pelas mudanças rápidas da vida cotidiana.
Em minha vasta experiência profissional em meus consultórios nos Estados Unidos da América do Norte e na clínica Carl Rogers, em Belém (PA), e também como professor titular da Cadeira de Psicologia Médica por quase 30 anos na Faculdade de Medicina do Estado do Pará, professor de Psicologia Dinâmica e Patológica da Universidade Federal do Estado do Pará (UFPa) e professor titular de Psicologia da Universidade da Amazônia (Unama) selecionei vários temas fascinantes sobre o comportamento humano, que farão parte desta obra a ser lançada até o final deste ano.
Posso dizer, sem dúvida, que Valorize a sua personalidade – Cultivando as relações intra e interpessoais proporcionará aos leitores remédio para combater seus males íntimos.
Jussiê Gonçalves de Souza
Pastor, professor, psicólogo, escritor e jornalista
Fones (91) 3250-4409 e 9100-5767
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